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Coleção Jazz ( 4 DVDs ) - Som Livre

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A série - Produzida pela PBS, rede pública de televisão americana, estreou nos Estados Unidos no dia 8 de janeiro do ano passado. Em maio do mesmo ano, o GNT a exibiu pela primeira vez no Brasil. Os números traduzem a grandeza de Jazz: seis anos para ficar pronta, custo de US$ 13 milhões, 498 músicas e mais de 2,4 mil fotografias, além de depoimentos de músicos como Wynton Marsalis e Harry Connick Jr. Louis Armstrong é o nome mais forte do documentário, verdadeiro fio condutor dos 12 programas. Na opinião de Ken Burns, Armstrong é a personalidade mais importante da música americana. "Ele é para a música do século 20 - e não me refiro só ao jazz - o que Einsten é para a física", compara. Jazz traz ainda algumas raridades, como a sequência inédita de Charlie Parker tocando com Coleman Hawkins em 1950 e um filme experimental de Benny Goodman de 1929.

Disco 1 - Gumbo: Do começo a 1917 - O primeiro programa é Gumbo: Do começo a 1917 (Gumbo: Beginnings to 1917) e começa em 1890, em Nova Orleans, onde a mistura de sons de bandas populares, óperas italianas e ritmos caribenhos levou para as ruas uma esplêndida diversificação cultural musical. Foi quando músicos negros criaram uma nova música sem velhos ingredientes, misturando o sincopado do ragtime com a melancolia do blues. No início do século 20, esse novo estilo de música começou a ser chamado de jazz. Os primeiros músicos de jazz viajaram pelos Estados Unidos nos anos que antecederam à Primeira Guerra Mundial mas poucas pessoas tiveram a chance de ouvir a nova música. Apenas em 1917, quando um grupo de músicos brancos de Nova Orleans que formavam a Original Dixieland Jazz Band gravou um sucesso que o levou ao estrelato, os americanos descobriram e se apaixonaram com esse estilo. Começava a era jazz.

O Dom: De 1917 a 1924 - A era do jazz está associada a bares clandestinos, melindrosas e dinheiro fácil. O segundo programa começa falando de duas grandes cidades, Chicago e Nova York, e de dois extraordinários artistas que estiveram presentes na música em mais de três quartos do século 20, Louis Armstrong e Duke Ellington. Armstrong, um menor abandonado sem pai que cresceu nas ruas de Nova Orleans, desenvolveu seu próprio dom - uma genialidade musical sem paralelo - com a ajuda de King Oliver, o melhor tocador de cornetim da cidade. Em 1922, os dois foram para Chicago onde os sons transcendentes e os ritmos alegres de Armstrong inspiraram uma nova geração de músicos, brancos e negros, para se juntar ao mundo do jazz. Enquanto isso, Ellington, criado com o conforto por pais de classe média que diziam que ele era "abençoado", deixava a sociedade musical onde aprendeu a tocar, em Washington, e partia para o Harlem, em Nova York. Lá, ele formou uma banda para criar uma música própria - quente, plena de sentimento e inspirada com o murmúrio cheio de improvisação do trompetista Bubber Miley. No início dos loucos anos 20, Paul Whiteman, um líder de banda branco, vendia milhões de discos tocando um jazz suave e sinfônico, enquanto Fletcher Henderson, um líder de banda negro, fazia o público de um salão de danças exclusivo para brancos, o Roseland Ballroom, em Nova York, dançar a som de inovadores arranjos musicais. Em 1924, ano em que Whiteman apresentou Rhapsody in blue, de George Gershwin, Henderson trouxe Louis Armstrong e sua brilhante improvisação para Nova York. Logo, Armstrong estava ensinando ao mundo como swingar.

Nossa língua: De 1924 a 1929 - Terceiro programa de Jazz (Jazz) começa retratando o crescimento acelerado do mercado de ações, e o aparecimento do jazz em todos os lugares. Músicos e cantores ganharam lugar de destaque, entre eles: Bessie Smith, a imperatriz do blues, cujas músicas ajudaram empresários negros a criar uma nova indústria fonográfica; Bix Beiderbecke, a primeira grande cantora branca de jazz; Benny Goodman, para quem o jazz ofereceu a oportunidade de fugir do gueto judeu e a chance de realizar os próprios sonhos. Em Nova York, Duke Ellington começou a se apresentar na mais célebre casa noturna do Harlem, o Cotton Club. A vida de Ellington mudou radicalmente quando o rádio passou a levar a música dele para todos os Estados Unidos, trazendo-lhe fama nacional. Enquanto isso, Louis Armstrong combinava sua arte vocal e solo para criar um jeito improvisado de cantar e popularizava o jazz através de uma série de pequenas gravações que culminaram na obra-prima West end blues.

Disco 2 - As verdadeiras boas-vindas: De 1929 a 1934 - Durante Grande Depressão, crise econômica iniciada com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, o jazz foi chamado para ajudar a melhorar os ânimos de um país amedrontado e prepará-lo para o início de uma década de grande crescimento. Louis Armstrong revolucionou a arte das canções populares americanas e se tornou um dos maiores artistas dos EUA. No Harlem, o pioneiro Chick Webb fez negros e brancos dançarem o lindy hop ao som da banda dele, no Savoy Ballroom. Mas foi Duke Ellington quem ampliou os horizontes do jazz compondo sucessos com uma inovadora sofisticação que foi comparada à de Stravinsky. Enquanto isso, Benny Goodman fazia o próprio nome viajando pelos Estados Unidos. Em 1935, no Paloma Ballroom, em Los Angeles, durante uma turnê com a sua banda, o público foi ao delírio quando escutaram o som de Benny Goodman. Começava a era do swing.

Puro prazer: De 1935 a 1937 - Agora, o jazz tinha um novo nome: swing. E para milhões de fãs jovens, ele era a definição da música de sua geração. Este é o ponto de partida do quinto programa. Rapidamente, os líderes das bandas de jazz se tornaram os novos ídolos dos jovens, com Benny Goodman sendo saudado como o rei do swing. Os adolescentes dançavam freneticamente com as músicas de Tommy Dorsey, Jimmie Luncerford e Glenn Miller. Mas o espírito swing não se limitava à dança de salão. Em Nova York, Billie Holiday saiu de uma trágica infância para começar uma carreira que a levou a ser uma das maiores cantoras de jazz. E, em Chicago, Benny Goodman e Teddy Wilson mostraram que, apesar da segregação, cantores brancos e negros podiam se apresentar lado a lado. Entretanto, no Savoy Ballroom, no Harlem, somente havia lugar para um rei do swing, e no dia 11 de maio de 1937, Benny Goodman vai até lá para um desafio musical com Chick Webb. Ele foi anunciado como a batalha musical do século, e mais de quatro mil dançarinos encheram a pista para saudar os dois campeões. Mas quando tudo isso acabou, não havia mais dúvidas sobre quem iria colocar a coroa..

Swing: A rapidez da comemoração: De 1937 a 1941 - É o sexto programa. Com a década de 30 chegando ao fim, a moda do swing continuava forte. O jazz prosperava. O saxofone surgiu como o instrumento ícone da música e apareceram dois mestres: o frágil Coleman Hawkins e o introspectivo Lester Young. As mulheres despontaram no cenário do jazz, incluindo a talentosa pianista e arranjadora Mary Lou Williams, mas elas continuavam enfrentando um grande preconceito por parte dos críticos e dos colegas. Começando uma longa carreira de cantora, Ella Fitzgerald assumiu a banda de Chick Webb. Benny Goodman fez o primeiro concerto de jazz no Carnegie Hall, dando visibilidade nacional ao gênero.

Disco 3 - Swinging com mudança: De 1940 a 1942 - Com o início da década de 40 e os americanos se preparando para a guerra, o jazz começou a mudar. Esse é o tema deste sétimo programa de Jazz. Em um clube do Harlem, chamado Minton’s Playhouse, uma pequena banda de novos músicos, guiados pelo virtuoso trompetista Dizzie Gillespie e o talentoso saxofonista Charlie Parker, descobriu uma nova maneira de tocar: rápida, complexa, divertida e algumas vezes caótica. Quando os Estados Unidos entraram na guerra em 1941, as grandes bandas de música passaram a fazer parte do arsenal militar, impulsionando moralmente tanto quem estava na América como as tropas nos campos de batalha. Alguns líderes de banda se alistaram enquanto outros contribuíram para a guerra fazendo turnês pelas bases militares e gravando discos para ajudar no esforço de guerra. Duke Ellington revigorou sua banda e descobriu no novo compositor Billy Strayhom o verdadeiro parceiro. Juntos criaram algumas gravações inesquecíveis.

Dedicados ao caos: De 1943 a 1945 - Durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa, os nazistas tentaram banir o jazz, mas grandes músicos continuavam tocando, transformando a música em uma arma de resistência e símbolo da liberdade. Porém, para muitos negros americanos, a música soava estranha. Estavam lutando no exterior pela liberdade que lhes era negada nos EUA. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Duke Ellington lançava Black, brown and beige, um retrato musical da vida de um negro na América na forma de uma suíte sinfônica. Como sempre, ele transformava a banda em um único instrumento para criar músicas de uma perfeição impressionante; Louis Jordan popularizava um gênero que ele chamou de rhythm and blues; e Charlie Parker e Dizzie Gillespie gravavam Ko-ko, desencadeando um som que logo seria chamado de bebop. O jazz nunca mais foi o mesmo.

Risco: De 1945 a 1949 (Risk: 1945 to 1949) - O nono programa mostra como as tensões da Guerra Fria estão refletidas nos ritmos quebrados e dissonantes das melodias do bebop e na confusa vida do maior astro do gênero, Charlie Bird Parker. As improvisações dele, a maneira como arriscava a vida, a autodestruição e as drogas eram imitadas por muitos outros músicos. O antigo parceiro, Dizzie Gillespie, tentava popularizar o novo som, porém o público jovem estava interessado em cantores como Frank Sinatra. Louis Armstrong formou a banda All Stars, pequena e unificada, mas, em 1949 não pôde tocar em um concerto em Nova Orleans por causa da legislação racista local. O produtor Norman Granz, entretanto, quebrou barreiras raciais por todo os EUA durante uma turnê com o seu grupo filarmônico de jazz, insistindo no tratamento igual para todos os músicos.

Disco 4 - Irresistível: De 1949 a 1955 - No fim dos anos 40 e início dos 50, toda uma geração de músicos tentava mover-se para além das inovações ditadas pelo gênio avassalador de Charlie Parker. O visionário pianista Thelonius Monk usou a própria personalidade excêntrica para criar uma música particular, enquanto John Lewis e o elegante Modern Jazz Quartet exaltavam o equilíbrio do bebop entre improvisação e composição. Porém, poucas pessoas ouviam o bebop. Músicos californianos criaram uma nova e melodiosa música chamada cool jazz, e Dave Brubeck combinou jazz com música clássica para produzir Time Out, primeiro LP do gênero com mais de um milhão de cópias vendidas. Em 1955, Charlie Parker morreu aos 34 anos destruído pela heroína. Miles Davis, antigo companheiro de Bird, foi mais além e levou o jazz para um novo caminho.

A aventura: De 1956 a 1960 - A prosperidade do pós-guerra nos EUA continuava, mas as mudanças eram evidentes: os subúrbios, a televisão e o surgimento das discotecas. No jazz, novos talentos começaram a dar novos sentidos para a música. Em 1956, Elvis Presley chegou pela primeira vez às paradas de sucesso, Duke Ellington teve sua melhor vendagem registrada. Novos artistas apareceram: o saxofonista Sonny Rollins; Sarah Vaughan; e o principal nome da época, Miles Davis. Uma famosa gravação dele com o arranjador Gil Evans ampliou o público do jazz e transformou-o em um ícone cultural cuja personalidade exemplificava a essência do cool. Com a chegada dos turbulentos anos 60, dois saxofonistas - John Coltrane e Ornette Coleman - levaram o jazz para um terreno desconhecido. Pela primeira vez, músicos começaram a se perguntar: isso ainda é jazz?

Uma obra-prima à meia-noite: De 1960 ao presente - Fechando a série. Durante os anos 60, o jazz enfrentou problemas. A maioria dos jovens escutava rock and roll. Muitos músicos de jazz foram para Europa, incluindo o mestre do sax do bebop, Dexter Gordon. Nos Estados Unidos, o gênero procurou se recuperar sob as batutas do baixista Charles Mingus, do saxofonista Archie Shepp e do vanguardista John Coltrane. Miles Davis combinou jazz com rock e lançou um som popular chamado fusion. Em 1976, quando o Dexter Gordon voltou de forma triunfante da Europa, o jazz também ressurgiu. Durante as duas décadas seguintes, uma nova geração de músicos apareceu conduzida pelo trompetista Wynton Marsalis - educados nas tradições da música, hábeis nas artes da improvisação e com brilhantes idéias que só o jazz pode expressar.